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2010-05-17 - 14:22:51
Fonte: Jornal da Paraíba, 16.05.10

O trânsito de João Pessoa tem para onde ir?



Especialistas, autoridades públicas e a população em geral concordam. Nunca foi tão difícil dirigir em João Pessoa, uma cidade com mais de 200 mil carros em circulação, segundo pesquisa da Superintendência de Transporte e Trânsito (STTrans) da Prefeitura de João Pessoa, e que todos os dias tem um incremento de 78 novos veículos em sua frota, segundo estudo do professor Newton Andrade, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e publicado na Revista Nacional de Transporte Público. Se o problema já é grave, fica ainda pior em horários de pico que vão das 7h30 às 8h30, do meio-dia às 13h e das 18h às 19h30.

A reportagem do JORNAL DA PARAÍBA visitou durante uma semana os principais pontos de sufocamento do trânsito pessoense, conversou com especialistas e com quem vive o dia a dia do problema e a conclusão é simples: a falta de planejamento e o tímido investimento em transporte de massa de qualidade agravaram ainda mais a situação, que ao que parece está longe de uma solução.


Basta pegar como exemplo a avenida Epitácio Pessoa, considerada hoje a mais congestionada da cidade. Um estudo realizado em março pela STTrans mostra que nos momentos mais intensos a avenida registra um fluxo de dois mil carros por hora passando em apenas um dos sentidos.
O engenheiro civil Vinícius Andrade, que todos os dias enfrenta a aventura de dirigir pela Epitácio, resume seu cotidiano. “O trânsito em João Pessoa está imoral. É um caos. A gente tenta se livrar dos engarrafamentos, optando por vias paralelas, mas até as opções alternativas ficam congestionadas”, descreve, se referindo a vias alternativas como a avenida Júlia Freire.
O estudante Yuri Camboim, por sua vez, arrisca uma opção ainda mais drástica para fugir dos congestionamentos. “O jeito é comprar uma moto”, declara de pronto, sem saber que o estudo de Newton Andrade aponta também que 40% das vítimas de acidentes no trânsito pessoense são formadas por motoqueiros, que muitas vezes nem têm culpa pela batida, mas que normalmente levam a pior.


Oficialmente, a STTrans reconhece atualmente quatro pontos críticos de “gargalos” no trânsito de João Pessoa: a própria avenida Epitácio Pessoa, a avenida Rui Carneiro, a avenida João Rodrigues Alves (principal dos Bancários) e a avenida Cruz das Armas (principalmente nas proximidades da Feira de Oitizeiro). E promete melhorias em todas elas para tentar aliviar o trânsito. “Todas estas ruas estão em fase de análise e estudos e em breve apresentaremos novidades para o trânsito”, destaca Pablo Fragoso, diretor de trânsito da Superintendência.
A Rui Carneiro, por exemplo, é uma avenida que sofre hoje um problema no mínimo inusitado que, segundo Pablo, a STTrans vai ter que “quebrar a cabeça” para corrigir. “Hoje ela começa com três faixas, passa para duas faixas na metade e termina com apenas uma faixa. Vamos ter que modificar tudo por ali”, explica o diretor de trânsito.

Em bairros, motoristas também já chegam ao limite da paciência

Apesar dos “gargalos oficiais” admitidos pela Superintendência de Transporte e Trânsito de João Pessoa serem apenas quatro, a prática mostra que a realidade é ainda mais grave. As avenidas Boto de Menezes e Deputado Tertuliano de Brito (ambas no Treze de Maio), por exemplo, duas que cresceram inicialmente como alternativas para a Epitácio Pessoa, hoje já sofrem com engarrafamentos quilométricos nos horários de pico.
O motorista Marcone Rocha, de 40 anos (há 20 trabalhando como taxista na Praça José Leal), descreve o problema na Tertuliano de Brito. “É muito carro ao mesmo tempo e virou algo normal os carros se acumularem na via e ficar tudo parado. Hoje em dia a gente vê engarrafamento até mesmo nos sábados”, descreve.
O cobrador de ônibus Berlândio Bernardo da Silva, de 32 anos, mora no bairro do Geisel e diz que sofre duplamente com o engarrafamento. Primeiro ele demora 20 minutos para chegar ao trabalho (que fica perto de sua casa) e depois, no posto de cobrador, tem que passar todos os dias na avenida Hilton Souto Maior, no José Américo. “O período entre 6h30 e 7h30 na Hilton Souto é de total desespero. Às vezes a gente acha que não vai chegar nunca ao ponto final. Se tem acidente então, aí o mundo acaba”.
E ainda existem outros pontos que todos os dias congestionam. A BR-230 nas proximidades da Asper Faculdades e a Avenida Tancredo Neves e o Retão de Manaíra, na proximidade do shopping, são alguns exemplos. “Eu nasci e sempre morei em João Pessoa e posso dizer que de três a quatro anos para cá é que o trânsito saiu do controle”, conclui Berlândio.

Transporte público poderia ser solução

Quando o debate chega na parte sobre o que o poder público está fazendo para melhorar o trânsito em João Pessoa, as divergências começam. De um lado está o diretor de Transporte da STTrans, Adalberto Araújo, e de outro lado está o professor Newton Andrade, especialista em trânsito da Universidade Federal da Paraíba. Ambos concordam que um sistema de transporte público de qualidade é a resposta para o problema. Mas se Adalberto diz que isto já vem acontecendo em João Pessoa, Newton destaca que as atuais políticas de trânsito na cidade são pontuais e visam apenas “apagar o fogo”.
Adalberto pontua que já está em curso na capital paraibana uma “eficiente política de desenvolvimento do transporte público”, que inclui a criação de vias exclusivas para ônibus e o rastreamento destes veículos por GPS. “A cidade hoje está mapeada e a partir daí criaremos um plano de ação que tem como foco prioritário o transporte de massa”, explica.
Ele explica que João Pessoa atualmente já tem 500 ônibus e que o problema não está nesta quantidade. “O que falta é uma maior confiança nos horários dos ônibus. Quando a população souber quando cada ônibus vai passar em cada parada, ela vai aderir ao sistema”, explica, prometendo para breve um sistema que poderá ser acessado pela internet e que o passageiro poderá, ao informar a linha do ônibus e o número da parada (todas seriam numeradas) em que ele está, prever em quanto tempo o veículo passará naquele local. “É um sistema inovador que poderá ser acessado até pelo celular e que vai dar mais confiabilidade ao transporte público”, antevê.
O professor Newton Andrade, por sua vez, até admite que o problema de trânsito não é uma exclusividade de João Pessoa, mas de todas as grandes cidades de países em desenvolvimento, que viraram o mercado preferencial das montadoras de carro depois que os países ricos adotaram medidas proibitivas para a circulação de carros pequenos. “Nunca foi vendido tanto carro no Brasil, e se todos saem ao mesmo tempo, é lógico que haverá congestionamento”.
Ele critica a política de criação de Zona Azul em João Pessoa, porque diz que com isto os carros tendem a migrar cada vez mais para o Centro, sugere “opções de deslocamento” alternativos e defende uma política de restrição dos espaços dos automóveis, com a criação de rodízios ou pedágios urbanos. E provoca: “Está na hora de as autoridades públicas pararem e se perguntarem o que querem para a cidade daqui a dez ou 15 anos”.
Para Newton, é inconcebível que os carros existentes em João Pessoa, que ocupam todas as vias da cidade e provocam todos os problemas, atendam apenas 20% da população, enquanto que todo o resto ande de ônibus. Mas para mudar este quadro, ele diz que é necessário melhorar drasticamente o transporte hoje oferecido na capital. “Temos que respeitar os limites do trânsito pessoense e impor limites. Conhecimento técnico e recursos na Prefeitura existem. Mas falta decisão política”, conclui.

Por: phelipe caldas

 
 
 
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