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2006-09-11 - 08:55:59
Fonte: Jornal O Norte

Pesquisador da PB alerta para chuvas ácidas

Pesquisador da UFPB descobre novo ciclo hidrológico na terra e garante que o Brasil não está imune a tornados e chuvas ácidas

Atmosfera em alerta

Quando o presidente norte-americano George W. Bush anunciou que os Estados Unidos não iriam aderir ao protocolo de Kyoto por falta de provas sobre relação entre os gases emitidos pela indústria moderna e o aquecimento global, cientistas e ambientalistas do mundo inteiro iniciaram uma corrida por evidências que derrubassem o ceticismo capitalista do representante da nação que mais produz carbono no mundo. Três meses atrás, a justificativa de Bush caiu por terra quando o pesquisador Ernani Sartori, da UFPB, descobriu, registrou e revelou a existência de um novo ciclo hidrológico que comprova: o aumento na emissão de gases como o dióxido de carbono está, definitivamente, agravando o chamado efeito estufa na terra. O ciclo hidrológico convencional é aquele aprendido ainda na escola secundarista, onde a evaporação da água existente nos rios, nas plantas, na respiração e no solo produz as nuvens no céu e volta à terra em forma de chuva. É o que Sartori chama de "estabelecida ciência da evaporação", feita há 200 anos e que, segundo o pesquisador, está baseada "no puro empirismo, apresentando erros terríveis". O novo ciclo registrado pelo pesquisador adiciona à fórmula tradicional elementos como partículas de poeira e a emissão de gases, especialmente por termoelétricas, com temperatura superior a mil graus centígrados. O resultado, segundo Sartori, é que as nuvens - e consequentemente as chuvas - estão se formando não mais apenas pela água natural da terra, mas também desse lixo poluente liberado em grandes quantidades na atmosfera.
E MAIS

O pesquisador explica melhor a trajetória desse novo ciclo. "Hoje, as nuvens são formadas, também, pela agregação de gotículas de vapor d'água em torno de microscópicas partículas de poeira. Se a industrialização está aumentando a concentração de poeira na atmosfera é natural que mais vapor d'água se condense em torno dessas partículas. Além disso, essas emissões de gases, sobretudo de termoelétricas, a mais de mil graus centígrados, provocam mais condensação de vapor d'água, que se agrega em mais poeira".

Resultado: no lugar de um ciclo equilibrado temos maior precipitação, maior volume de água, vindo de nuvens mais densas, escuras e formadas por elementos estranhos à atmosfera em seu estado natural. "Essa chuva volta para nós, evidentemente, sem a mesma pureza de antes. Não é exagero falarmos em chuva ácida, mesmo no Brasil", alerta Sartori.

Conseqüências do novo ciclo hidrológico

Se você assistiu ao filme "O Dia Depois de Amanhã", saiba: a ficção não está tão absurdamente distante da produção hollywoodiana. O próprio Ernani Sartori já havia escrito um artigo onde projetava, ficcionalmente, o cenário mundial com o agravamento da densidade das nuvens e do aquecimento global. "Em um caso limite de ficção, onde o céu estaria completamente coberto e opaco bem como 'sólido' devido à enorme quantidade de partículas sólidas em suspensão por conta da poluição de partículas, nenhuma energia seria refletida e transmitida por esta cobertura da atmosfera. Então, o mundo seria como uma caixa fechada de tijolos sem aberturas e janelas, onde o interior estaria mais protegido dos raios solares do que em uma estufa com cobertura transparente, mas a atmosfera seria quente, úmida, abafada e extremamente hostil para a saúde e o Sol seria percebido pelos seus efeitos de aquecimento e não por suas cores e movimentos".

Para quem acha que tudo não passa de especulação, Sartori cita um exemplo real ocorrido no Brasil. "Um fato novo ocorrido aqui mesmo comprovou fielmente todas as previsões feitas por mim. Nas cercanias de Rio Branco, capital do Acre, há poucos dias houve fortes queimadas e as fumaças invadiram completamente aquela capital e ficaram assim por mais de uma semana. A repórter de uma rede nacional de TV esteve lá e relatou os seguintes efeitos: 'a cidade está coberta por fumaça, a cidade se encheu de nuvens, a radiação solar diminuiu mas o ar está abafado, quente e úmido'. É realmente impressionante a confirmação das previsões através deste fato!".

Sartori, porém, não é vidente ou algo do tipo. Suas "previsões" são fruto de estudo científico, observações apuradas e números, muitos números. Gaúcho radicado na Paraíba há pelo menos 20 anos, Ernani Sartori estudou, antes de se dedicar às verificações sobre o novo ciclo hidrológico, sobre assuntos como destilação solar, secagem solar e coletores solares. Entre outros registros memoráveis, ele é autor da equação mais exata do mundo para o cálculo da evaporação, descoberta em 1987, um desenvolvimento que quebra e modifica o rumo desses cálculos e entendimentos que existem desde a década de 1880. Além disso, é ainda o autor da equação mais exata do mundo para o cálculo da transferência de calor de uma superfície plana, um novo paradigma que altera os cálculos nessa área, que duram mais de 50 anos.

Lado bom da notícia

A boa notícia é que, apesar de toda essa prova cientificamente matemática, o cientista da UFPB mostra otimismo sobre esse cenário apocalíptico. "Em vista deste panorama nada animador acredito que a humanidade não deixará o mundo chegar a este ponto e os processos de produção de energia e bens de consumo e transporte baseados em industrializações de intensivas emissões de gases devem ser gradualmente revisados e aprimorados bem como o uso e desenvolvimento de energias renováveis e biocombustíveis estão crescendo firmemente e mesmo hoje em dia já existem tecnologias que permitem a eliminação do calor dos gases bem como a redução de seus efeitos tóxicos. Todavia, boa vontade e consciência são obviamente necessárias". (Henrique França)

 
 
 
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